O papel do professor

 

O educador deve reconhecer como legítimo e lícito, por parte das crianças e dos jovens, a

busca do prazer e as curiosidades manifestas acerca da sexualidade, uma vez que fazem parte de

seu processo de desenvolvimento.

O professor transmite valores com relação à sexualidade no seu trabalho cotidiano, na forma

de responder ou não às questões mais simples trazidas pelos alunos. É necessário então que o

educador tenha acesso à formação específica para tratar de sexualidade com crianças e jovens na

escola, possibilitando a construção de uma postura profissional e consciente no trato desse tema. O

professor deve então entrar em contato com questões teóricas, leituras e discussões sobre as

temáticas específicas de sexualidade e suas diferentes abordagens; preparar-se para a intervenção

prática junto dos alunos e ter acesso a um espaço grupal de supervisão dessa prática, o qual deve

ocorrer de forma continuada e sistemática, constituindo, portanto, um espaço de reflexão sobre

valores e preconceitos dos próprios educadores envolvidos no trabalho de Orientação Sexual.

Ao atuar como um profissional a quem compete conduzir o processo de reflexão que

possibilitará ao aluno autonomia para eleger seus valores, tomar posições e ampliar seu universo de

conhecimentos, o professor deve ter discernimento para não transmitir seus valores, crenças e

opiniões como sendo princípios ou verdades absolutas. O professor, assim como o aluno, possui

expressão própria de sua sexualidade que se traduz em valores, crenças, opiniões e sentimentos

particulares. Não se pode exigir do professor uma isenção absoluta no tratamento das questões

ligadas à sexualidade, mas a consciência sobre quais são os valores, crenças, opiniões e sentimentos

que cultiva em relação à sexualidade é um elemento importante para que desenvolva uma postura

ética na sua atuação junto dos alunos. O trabalho coletivo da equipe escolar, definindo princípios

educativos, em muito ajudará cada professor em particular nessa tarefa.

Para um bom trabalho de Orientação Sexual, é necessário que se estabeleça uma relação de

confiança entre alunos e professor. Para isso, o professor deve se mostrar disponível para conversar

a respeito das questões apresentadas, não emitir juízo de valor sobre as colocações feitas pelos

alunos e responder às perguntas de forma direta e esclarecedora. Informações corretas do ponto de

vista científico ou esclarecimentos sobre as questões trazidas pelos alunos são fundamentais para

seu bem-estar e tranqüilidade, para uma maior consciência de seu próprio corpo e melhores condições

de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e abuso sexual.

Na condução desse trabalho, a postura do educador é fundamental para que os valores básicos

propostos possam ser conhecidos e legitimados de acordo com os objetivos apontados. Em relação

às questões de gênero, por exemplo, o professor deve transmitir, pela sua conduta, a eqüidade

entre os gêneros e a dignidade de cada um individualmente. Ao orientar todas as discussões, deve,

ele próprio, respeitar a opinião de cada aluno e ao mesmo tempo garantir o respeito e a participação

de todos.

 
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